Eu cumpri minha promessa, a Aline não. Sempre me acompanha.... e foi dela a última imagem que vi antes de passar para sala de embarque!
Primeiro ao Rio. Depois esperar cinco horas para o vôo da TAAG. Andei pelo aeroporto tomando cafés, vendo lojas que não me diziam nada...e entrei numa livraria.
Nessas horas estive pensando em que escrever para linkar com minha viagem a Europa, poderia falar do vento que soprou num dia de chuva em São Paulo tentando passar como um uivo pelas frestas da janela, enquanto eu olhava o horizonte. Apesar do acontecido, poderia parecer uma poética forçada.
Mas ao entrar na livraria um pequeno sorriso deflagrou meus lábios.
Em um canto da prateleira estava um livro com a foto de uma Palanca Negra, símbolo de Angola.
Levei o pesado livro comigo, pensei que poderia ler um pouco antes de dormir e acordar no outro continente. Engano, o livro sobre a guerra de Angola misturada a contação de histórias, equilibra ficção e fatos reais narrados por um jornalista brasileiro.
Resumo. Não dormi nas sete horas de viagem e percorri trinta anos de guerra e a sensibilidade de poetas na libertação de um povo.
O Sol nascia em Angola... mas dessa vez era eu que tinha ido ao seu encontro.
Marcelo me esperava, assim como esse abraço esperou 5 anos desde a última vez que nos encontramos em São Paulo.
Minha primeira observação foi o tamanho do estacionamento em frente ao aeroporto, Marcelo me disse: Aquilo não é um estacionamento. O que é então? Perguntei.
O TRÂNSITO, disse ele, Bem Vindo à África!!!!!!
E cá estou eu!
Como vim parar aqui?
Uma vez li que quando uma palavra é sua, é porque ela ainda está em pensamento... depois que vc coloca pra fora, não tem mais domínio...ela pertence ao mundo!
Assim, pairando ao mundo, o que tenho escrito aqui chegou até Marcelo.
Estava indo para a sala onde trabalho, mas antes, observei através da janela, uma pesada nuvem formada no horizonte. Saquinhos voavam em loucos rodopios pelo cinza do céu. Eu não pensava em nada, só notei o vento forçando a janela...querendo entrar novamente.
Com o corpo ainda parado, virei o rosto e vi na tela do computador que Marcelo , irmão de alma, estava on-line.
Teclamos, e ele me falou que tinha uma idéia para um seriado, mas que precisava de alguém com minha sensibilidade para dirigir este trabalho.
A chuva agora caia forte e podia sentir as janelas ainda sendo forçadas.
Em uma semana ele me enviou as passagens.
Aqui, neste momento que escrevo... o Sol se põe em Angola.
Daqui a pouco vou me deitar....e terminar de ler o livro, que deflagrou meu sorrizo na livraria:


